15.08.2016

eu disse que não tinha mais medo, mas tenho.

sobrou um tanto, debaixo da pele

(logo abaixo da memória física do calor da tua mão).

veio o estômago fundo, a vontade de fugir,

de nunca mais comer e de nunca mais amar.

 

da negação do afeto, da esquiva,

do desejo, da norma, do silêncio,

tenho um buraco no peito.

cheio de medo.

(concentrado na garganta, nas mãos, e nas pernas inquietas)

 

quanto demora pra escoar cada lembrança

se tenho tempo e tenho medo,

mas o medo não me tem

05-06-19.01.16

it was night when she came, with a collection of enhanced pictures

of those days.

it was night, but it was bright: she was there, and she was mine.

rephrasing each moment

as she cut out square pieces of photographic paper–they weren’t there before:

there was nothing, there is more.